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TEOLOGIA DO DOMÍNIO - Após retomar minhas atividades em meus Blogs, decidi que o Blog Austri Junior - Teologia , serveria ao propósito ...

sábado, 24 de outubro de 2026

PRÓLOGO - TEOLOGIA DO DOMÍNIO, SOCIEDADE E POLÍTICA NO BRASIL: GENEALOGIAS, DISCURSOS, MOVIMENTOS E DISPUTAS DE PODER

Uma investigação teológica, histórica, sociológica e política em 40 capítulos Por Austri Junior



PRÓLOGO

“Teologia do Domínio” não nasceu de um único homem, em um único ano, nem constitui uma denominação ou sistema teológico perfeitamente uniforme. O que hoje é chamado de Dominion Theology/Dominionism reúne correntes diferentes que compartilham a convicção de que os cristãos receberam de Deus uma responsabilidade de exercer influência — e, em algumas versões, autoridade — sobre a sociedade e a cultura.

A genealogia moderna, porém, permite identificar um núcleo histórico bastante preciso: R. J. Rushdoony e o movimento chamado Christian Reconstruction (Reconstrucionismo Cristão), nos Estados Unidos, a partir das décadas de 1950–1970. Depois, ideias de outras correntes pentecostais/carismáticas — especialmente Kingdom Now, Latter Rain e, posteriormente, a chamada New Apostolic Reformation — passaram a utilizar uma linguagem de domínio com características diferentes.

- O que significa Teologia do Domínio?
A expressão inglesa é Dominion Theology. “Dominion” - domínio, governo, autoridade, senhorio. A referência bíblica fundamental é:
Gênesis 1:26–28, particularmente a linguagem de Deus concedendo ao ser humano domínio sobre a criação. Isso é extremamente importante dizer porque a ideia de “domínio” é muito mais antiga que a Teologia do Domínio moderna. O ponto de partida bíblico é antigo. O que surge no século XX é uma determinada interpretação teológica (diga-se de passagem, uma hermenêutica manipuladora, maliciosa, e assaz maldosa, que, para aliviar, eu diria, nomínimo: burra e incompetente), social e política desse mandato.Em outras palavras: Gênesis 1:28 ≠ Teologia do Domínio moderna. A passagem bíblica é antiga; a construção ideológica e teológica contemporânea é muito posterior.

- Quem inventou a Teologia do Domínio? Não existe um “fundador” único, o principal formulador da versão moderna que deu origem ao Reconstrucionismo Cristão foi Rousas John Rushdoony — R. J. Rushdoony, 1916–2001. Teólogo e pastor calvinista de origem armênia, radicado nos Estados Unidos.

A historiadora Molly Worthen, da University of North Carolina, estudou especificamente “The Chalcedon Problem: Rousas John Rushdoony and the Origins of Christian Reconstructionism”, publicado pela Church History, da Cambridge University Press. E, Julie Ingersoll, professora de Religious Studies, identifica explicitamente o movimento como algo que se desenvolveu a partir do trabalho de Rushdoony em meados do século XX.

- Onde surgiu?
As primeiras iideias que deram origem à Teologia do Domínio surgiram nos Estados Unidos da América, mais especificamente, o desenvolvimento inicial ocorreu no ambiente presbiteriano/calvinista conservador norte-americano, especialmente na Califórnia. Rushdoony passou a desenvolver sua crítica da sociedade moderna, da educação secular, do Estado e do humanismo durante as décadas de 1950 e 1960. Em 1965, ele fundou a Chalcedon Foundation. A própria Fundação Chalcedon reconhece Rushdoony como seu fundador e apresenta sua missão como promoção da aplicação da lei bíblica à sociedade. A literatura acadêmica confirma a importância decisiva dessa instituição na formação do movimento. Portanto, uma data que merece ser guardada: 1965 — Fundação Chalcedon. Mas Rushdoony não começou do zero. Rushdoony inventou a ideia de que o cristianismo deve influenciar a sociedade? -Não. Há uma tradição muito anterior.

- Podemos construir aproximadamente esta genealogia:
Bíblia → tradição cristã → Reforma → tradição reformada/calvinista → pós-milenismo → neo-calvinismo → Rushdoony → Reconstrucionismo Cristão → diversas correntes posteriores de dominionismo.
- João Calvino
Calvino desenvolveu uma visão abrangente da soberania de Deus e da relação entre fé, ética, sociedade e governo.

- Abraham Kuyper
No século XIX, o teólogo e político holandês Abraham Kuyper (1837–1920) desenvolveu a famosa ideia de: sphere sovereignty — soberania das esferas/âmbitos. A ideia era que diferentes áreas da vida social possuem suas próprias responsabilidades e jurisdições diante de Deus. Estudos acadêmicos mostram a importância de Kuyper na formação dessa concepção. Mas há uma distinção fundamental: Kuyper não pode simplesmente ser chamado de “fundador da Teologia do Domínio”. Sua concepção de soberania das esferas tinha também uma dimensão pluralista, limitando a concentração de poder e reconhecendo diferentes esferas sociais. Rushdoony posteriormente desenvolveu uma concepção própria de sphere sovereignty.

- O verdadeiro salto acontece com Rushdoony
Durante aproximadamente os anos 1950–1970, Rushdoony construiu um sistema teológico que combinava:
- Calvinismo;
- pressupocionalismo;
- pós-milenismo;
- teonomia;
- continuidade entre Antigo e Novo Testamento;
- autoridade da lei bíblica;
- crítica ao humanismo secular;
- crítica ao Estado moderno;
- educação cristã;
- responsabilidade cultural dos cristãos;
- reconstrução da sociedade segundo princípios bíblicos.

A historiadora Julie Ingersoll resume o sistema como uma combinação de: pressuposicionalismo + pós-milenismo + teonomia. Essa combinação é decisiva.

- O que é “Teonomia”?
Aqui existe uma confusão muito comum. Teonomia vem do grego: theos = Deus, e, nomos = lei. Portanto: TEONOMIA: “Lei de Deus”. A questão fundamental da teonomia é: Até que ponto a lei revelada por Deus nas Escrituras continua normativamente válida para a sociedade contemporânea?

Rushdoony respondeu de maneira muito abrangente.
Para ele, a lei bíblica não deveria ser reduzida à esfera privada ou religiosa.Ela deveria fornecer princípios para:
- moral;
- família;
- educação;
- economia;
- propriedade;
- justiça;
- direito;
- governo;
- sociedade.

A obra principal que fundamentou as teorias de Rushoony foi: The Institutes of Biblical Law, publicada em 1973. São aproximadamente 890 páginas no primeiro volume. (R. J. Rushdoony, The Institutes of Biblical Law, Craig Press, 1973).

- Por que 1973 é uma data tão importante?
Porque é quando o pensamento de Rushdoony ganha uma formulação sistemática monumental. A obra procura demonstrar que a lei bíblica possui relevância para a organização da sociedade. A própria apresentação da obra afirma que seu propósito era considerar a lei que deveria governar a sociedade sob Deus. A pesquisa acadêmica de Oxford confirma que: o Institutes of Biblical Law é o trabalho mais importante de Rushdoony e procura aplicar a lei bíblica a todos os aspectos da vida.

- Portanto, podemos afirmar que: 1. 1950–1960 - Formação do pensamento de Rushdoony
2. 1965 - Consolidação do Christian Reconstruction
3. 1970 - Fundação da Chalcedon Foundation
4. 1973 - Publicação de The Institutes of Biblical Law

- Quem foram os principais colaboradores?
Rushdoony não trabalhou sozinho. Os nomes fundamentais incluem:
1. R. J. Rushdoony - Principal formulador.
2. Gary North - Economista, escritor e genro de Rushdoony. Tornou-se um dos principais divulgadores econômicos e políticos do movimento.
3. Greg L. Bahnsen - Teólogo e filósofo reformado. Sua obra: Theonomy in Christian Ethics — 1977. Tornou-se uma das principais defesas acadêmicas da teonomia.
4. David Chilton - Autor reconstrucionista e defensor do pós-milenismo.
5. Kenneth Gentry - Teólogo e escritor ligado ao pós-milenismo e à teonomia.
6. John W. Whitehead - Advogado e ativista jurídico, ligado à aplicação de ideias reconstrucionistas ao direito e à política.

Observação: Michael J. McVicar, da Universidade de Iowa, documenta especificamente a atuação de Rushdoony, Gary North, Greg Bahnsen e John W. Whitehead, entre outros, na transformação do Reconstrucionismo em força intelectual e política durante as décadas de 1970 e 1980.

- Qual era o objetivo?
O objetivo básico do Reconstrucionismo era: reconstruir a sociedade de acordo com uma cosmovisão bíblica e submetê-la à autoridade da lei de Deus. Esse indivíduos visavam a transformação completa de todos os aspectos da cultura para colocá-los sob a autoridade da lei bíblica. Isso envolve uma mudança radical na compreensão da missão cristã. Não seria simplesmente: “salvar almas”. Seria: salvar + discipular + transformar cultura + educação + família + economia + direito + governo + sociedade. É uma concepção holística do cristianismo - Ou seja: esses indivíduos pretendiam ciar uma TEOCRACIA CRISTÃ no Estados Unidos da América. E duvido muito de que eu estaja enganado, mas, arrisco dizer que, a intenção, ao criar essa famigerada Teocracia poderia se espalhar para o mundo cristão inteiro, como está acontecndo nos dias de hoje. Isto está muito claro nestas Eleições de 2026 aqui no Braasil, por parte da extrema direita, que se aproveita da ignorância acadêmica e política dos evangélicos e dos católicos desavisados para implantar o que Pastores e Padres conscientes e PROTESTANTES estão chamando de "EVANGELISTÂO".

- O conceito de “domínio”
Aqui chegamos à palavra que dá nome ao fenômeno. Para os reconstrucionistas, Gênesis 1:26–28 estabelece o chamado: “Mandato de Domínio”.
O ser humano recebe a responsabilidade de:
- cultivar;
- desenvolver;
- ordenar;
- administrar;
- subjugar a criação;
- exercer domínio.

*Somente como registro literário, devo afirmar que, como teólogo, e, principalmente enquanto cidadâo, considero essas ideias como sendo algo muito perigoso!

A Chalcedon Foundation afirma explicitamente que o “dominion mandate” de Gênesis 1:28 é um dos elementos fundamentais do Reconstrucionismo Cristão. Mas Rushdoony amplia o conceito. O domínio não é apenas: “cuidar da natureza”. É também: organizar a vida humana segundo a lei de Deus. Daí surge a ligação entre: domínio → lei bíblica → cultura → instituições → sociedade.

- A importância do pós-milenismo
Esse ponto é essencial para compreender a lógica interna da teoria.
Existem diferentes concepções escatológicas:
1. Pré-milenismo - Cristo retorna antes do milênio.
2. Amilenismo - Não existe um reino milenar terreno literal da maneira como o pré/pós-milenismo o concebem.
3. Pós-milenismo - A expansão do Reino de Deus precede a segunda vinda de Cristo.
O Reconstrucionismo está fortemente associado ao pós-milenismo. E isso produz uma consequência lógica: Se Cristo deve encontrar uma sociedade progressivamente submetida ao Reino de Deus, então os cristãos precisam trabalhar historicamente para transformar a sociedade. Julie Ingersoll observa justamente que o pós-milenismo proporciona ao Reconstrucionismo a expectativa de uma vitória histórica de longo prazo.

- E aqui aparece a política
Se: a Bíblia governa toda a vida, e a sociedade deve ser reconstruída segundo a Bíblia, surge inevitavelmente a questão: E o Estado?
É aqui que o movimento começa a ter consequências políticas - A reconstrução passa a envolver:
- educação;
- legislação;
- família;
- propriedade;
- economia;
- justiça;
- governo.

A pesquisadora Julie Ingersoll demonstra que a concepção reconstrucionista de “soberania das esferas” organiza especialmente três instituições: família — igreja — governo civil. O Reconstrucionismo Cristão constitui uma das principais matrizes históricas da moderna Teologia do Domínio, mas o termo passou posteriormente a abranger correntes pentecostais e carismáticas diferentes - Surge outra corrente: Kingdom Now ( O Reino de Agora).

Enquanto Rushdoony desenvolvia seu Reconstrucionismo dentro do universo reformado/calvinista, desenvolviam-se dentro do pentecostalismo e do movimento carismático outras concepções. Uma das mais importantes ficou conhecida como: Kingdom Now, ou, “Reino Agora”. Um dos nomes associados a ela foi: Earl Paulk Pastor carismático de Atlanta. Na década de 1980, Paulk passou a defender explicitamente uma concepção segundo a qual a Igreja deveria recuperar domínio sobre diferentes áreas da sociedade. A Christianity Today, em 1992, descreveu Paulk como associado à teologia Kingdom Now/dominion theology, mencionando a ideia de recuperar domínio sobre a política, as artes e outras áreas da vida. Isso tem outra genealogia: Aqui precisamos voltar ainda mais. Nos círculos pentecostais, encontramos antecedentes na chamada: Latter Rain Movement - Movimento da Chuva Serôdia Seu episódio fundador costuma ser localizado em: 1948 — North Battleford, Saskatchewan, Canadá.

- O movimento desenvolveu ideias sobre:
- restauração espiritual;
- profecia;
- apóstolos;
- profetas;
- manifestação do poder do Espírito;
- restauração da Igreja;
- acontecimentos escatológicos.

Há uma ligação histórica posterior entre algumas dessas ideias e correntes carismáticas de domínio, embora não seja correto dizer que Latter Rain = Teologia do Domínio. São movimentos distintos que posteriormente tiveram interações e influências. E chegamos à Nova Reforma Apostólica. No final do século XX surge outra etapa: New Apostolic Reformation — NAR (Nova Reforma Apostólica). O nome está associado principalmente a: C. Peter Wagner.

- Wagner desenvolveu a ideia de que Deus estava restaurando à Igreja os ministérios de:
- apóstolo;
- profeta;
- evangelista;
- pastor;
- mestre.

A NAR ganhou forma principalmente a partir dos anos 1990. Estudos acadêmicos identificam Wagner como aquele que cunhou o termo New Apostolic Reformation. E aqui aparece a famosa “Seven Mountain Mandate” (Mandato das Sete Montanhas). Essa é uma das manifestações contemporâneas mais conhecidas da linguagem de domínio.

- As sete áreas normalmente apresentadas são:
1. Religião
2. Família
3. Educação
4. Governo
5. Mídia
6. Artes e entretenimento
7. Negócios/economia
A lista pode variar ligeiramente conforme o autor.
- Quem criou as “Sete Montanhas”?
Existe uma história segundo a qual, em 1975, dois líderes evangelísticos tiveram experiências semelhantes: Loren Cunningham - Fundador da Youth With a Mission - YWAM/JOCUM, e Bill Bright - Fundador da Campus Crusade for Christ. Cunningham relata que, em 1975, enquanto estava no Colorado, escreveu uma lista de áreas da sociedade que deveriam ser alcançadas para transformar as nações. No dia seguinte encontrou Bill Bright e ambos teriam percebido grande semelhança entre suas listas.

A versão original de Cunningham incluía:
- família;
- igreja;
- escolas;
- governo/política; - mídia;
- artes/entretenimento/esportes;
- comércio/ciência/tecnologia.

Portanto: 1975 é uma data importante para a pré-história do modelo das Sete Montanhas. Mas “Seven Mountains” propriamente dita ganhou força depois. Aqui está uma descoberta importante para sua pesquisa. A expressão “Seven Mountains” como estratégia explícita de conquista/influência cultural tornou-se muito mais conhecida posteriormente, especialmente no século XXI. Um personagem fundamental é: Lance Wallnau. Wallnau relata ter tomado conhecimento da visão original de Cunningham por volta de 2000 e passou a reinterpretar essas esferas como “sete montanhas” de influência cultural. Pesquisas acadêmicas recentes também identificam Wallnau como um dos principais responsáveis pela popularização contemporânea do modelo. A diferença é muito importante. Existe uma transformação conceitual: Cunningham/Bright, influenciar a cultura para Cristo. Wallnau e segmentos posteriores: conquistar as “montanhas” culturais e ocupar posições estratégicas de influência. Essa mudança de linguagem é teologicamente e sociologicamente significativa. Não é simplesmente uma questão de palavras. A ideia passa de: influência cultural, para: tomada de posições estratégicas de autoridade cultural. Essa evolução é estudada atualmente por pesquisadores de religião e política.

- A grande árvore genealógica

BÍBLIA
│ ├── Gênesis 1:26–28 │ │ │ └── “domínio” / mandato cultural │ ├── TRADIÇÃO CRISTÃ │ ├── REFORMA │ │ │ └── João Calvino │ ├── TRADIÇÃO REFORMADA │ │ │ └── Pós-milenismo │ ├── NEO-CALVINISMO │ │ │ └── Abraham Kuyper │ └── soberania das esferas │ └── SÉCULO XX │ ├── R. J. Rushdoony │ │ │ ├── Teonomia │ ├── Pós-milenismo │ ├── Reconstrucionismo Cristão │ └── Chalcedon Foundation │ ├── Gary North ├── Greg Bahnsen ├── David Chilton └── Kenneth Gentry └── CORRENTES PENTECOSTAIS/CARISMÁTICAS │ ├── Latter Rain ├── Manifest Sons of God ├── Kingdom Now │ └── Earl Paulk │ └── New Apostolic Reformation │ ├── C. Peter Wagner ├── Lance Wallnau ├── Johnny Enlow ├── Bill Johnson └── Seven Mountain Mandate

Essa árvore é uma simplificação didática; não significa que cada ramo seja descendente direto do anterior. Algumas dessas correntes tiveram genealogias independentes que posteriormente se cruzaram.

[DOMINIONISM - DOMINION THEOLOGY - THEONOMY - CHRISTIAN RECONSTRUCTION - Não são sinônimos perfeitos].

Termo/Significado:
1. Dominion Theology - categoria ampla sobre domínio cristão da sociedade/cultura
2. Dominionism - termo frequentemente utilizado em estudos sociopolíticos para descrever correntes que defendem domínio cristão
3. Theonomy - aplicação da lei de Deus à ética e, em versões fortes, à ordem civil
4. Christian Reconstruction movimento teológico específico associado sobretudo a Rushdoony
5. Kingdom Now - corrente pentecostal/carismática de “reino presente”
6. New Apostolic Reformation - movimento apostólico-profético contemporâneo associado a Wagner
7. Seven Mountains - estratégia contemporânea de influência/conquista de sete áreas culturais

- E quem inventou o termo “Dominionism”?
Aqui também há uma história interessante. O termo dominionism ganhou circulação principalmente nos estudos sobre a direita cristã norte-americana durante as décadas de 1980 e 1990. A pesquisadora Sara Diamond foi uma das autoras importantes nesse processo. Seu livro: Spiritual Warfare: The Politics of the Christian Right foi publicado em 1989. Depois veio: Roads to Dominion em 1995. Mas há uma questão metodológica: não devemos afirmar simplesmente que Sara Diamond “inventou” a Teologia do Domínio. Ela foi uma pesquisadora que ajudou a popularizar e analisar o termo e o fenômeno no contexto da direita cristã norte-americana.

Michael McVicar, em artigo acadêmico publicado no Journal of Religion and Popular Culture, estudou justamente a história do discurso em torno de “dominion theology” e “dominionism”. Ele mostra que o discurso se desenvolveu especialmente nas décadas de 1980 e 1990, no contexto das discussões sobre ativismo político evangélico. Um fato extremamente importante: os próprios envolvidos nem sempre usam “dominionism”. “Dominionism” é muitas vezes um rótulo utilizado por pesquisadores e críticos - Entre eles, este que vos escreve - O termo dominionismo é utilizado por determinados pesquisadores para agrupar correntes que apresentam diferentes concepções de domínio cristão...

Os próprios movimentos podem preferir termos como:
- Reino de Deus;
- Transformação cultural;
- Mandato cultural;
- Cosmovisão bíblica;
- Reconstrução cristã;
- Teonomia;
- Transformação das nações;
- Apostólico;
- Profético;
- Influência cultural.
Portanto, são estes os termos (supra descritos) que os dominionistas defendem. Observe que são termos RELIGIOSOS, e não poderiam ser diferentes, pois nascem em mem mentes religiosas, de sujeitos religiosos de tendenciosa hermenêutica.

- Qual era o “inimigo” intelectual de Rushdoony? Outro elemento essencial. Rushdoony via o grande conflito de sua época como uma disputa entre duas cosmovisões: Cristianismo bíblico versus Humanismo secular. Na estrutura de pensamento reconstrucionista, não existe verdadeira neutralidade. A sociedade precisa ser orientada por alguma autoridade última.

Se não for Deus e a Bíblia, será:
- Estado;
- razão autônoma;
- humanismo;
- secularismo;
- evolucionismo;
- racionalismo;
- outras filosofias.
É por isso que Rushdoony falava em “cosmovisão bíblica”.

Oxford destaca justamente essa característica do pensamento reconstrucionista: a tentativa de aplicar uma cosmovisão bíblica a todos os aspectos da existência. Educação tornou-se uma área estratégica Essa é uma consequência muito importante. Se uma sociedade deve ser reconstruída, é necessário formar a próxima geração. Daí a enorme importância que o movimento deu a: educação cristã, e posteriormente: à homeschooling (o estudo à partir de casa). A literatura acadêmica sobre Reconstrucionismo identifica justamente a educação cristã e o homeschooling como algumas das áreas nas quais as ideias de Rushdoony exerceram influência mais duradoura. Isso explica por que a influência do movimento não deve ser medida apenas pelo número de igrejas explicitamente chamadas de “reconstrucionistas”.

O Seu impacto também ocorreu através de:
- Escolas;
- Famílias;
- Livros;
- Editoras;
- Cursos;
- Organizações;
- Ativismo jurídico;
- Redes políticas;
- Educação domiciliar.

* Uma observação teológica importante:
É possível estudar seriamente a Teologia do Domínio sem assumir que: “todo cristão que acredita no mandato cultural é dominionista”. Isso seria um erro. Um cristão pode defender: mandato cultural, sem defender: governo cristão da sociedade. Pode defender: influência cristã na cultura sem defender: teocracia. Pode defender: ética cristã na política sem defender: aplicação civil das penas da lei mosaica. E pode defender:evangelização das nações sem defender: conquista institucional das nações. Também precisamos separar “influência” de “domínio”. Esta talvez seja a melhor pergunta teológica de toda a pesquisa: Quando o mandato cristão de transformar a sociedade deixa de ser influência e passa a ser domínio? Porque existe uma enorme diferença entre: “Cristãos devem participar da sociedade”, e: “Cristãos devem controlar as estruturas da sociedade.” E uma diferença ainda maior entre: “Cristãos devem apresentar valores cristãos à sociedade”, e: “O Estado deve impor juridicamente determinada interpretação cristã.” É precisamente nesse ponto que surgem as maiores controvérsias.O debate não é apenas político; é hermenêutico. No fundo, a questão é: Como interpretar a Bíblia? Por exemplo: Gênesis 1:28 - “Dominai...”

- A pergunta é: o que exatamente significa esse domínio?
É:
- domínio sobre a natureza?
- administração da criação?
- desenvolvimento cultural?
- governo social?
- governo político? - estabelecimento do Reino?
- legislação baseada na Bíblia?
- evangelização?
- discipulado das nações?

As diferentes respostas produzem diferentes teologias. A verdade é: O Reino de Deus deve ser estabelecido dentro das igrejas, para quem e os que por Ele se interessam. Não é lícito empurrar crenças, fé, teologias e ideologias religiosas para todos os cidadãos, principalmente no Brasil, um país que tem uma gama de diversidades religiosas. Tambem temos os gnósticos, os agnósticos, os ateus... Todos devem ser respeitados, e não são obrigados a aceitarem DOMÍNIOS, sejam de qual for a teologia. Devemos lutar por um país que respeita os seus cidadãos e os seus direitos: direito de ir e vir, direitos humanos, direitos religiosos e não religiosos. Ninguém é obrigado a crer como o outro crer. Inclusive, as pessoas têm o direito de não crer. Temos um país com fortes tradiçõe religiosas de matrizes africanas, que foram subjugados, tendo sido arrancados de suas Pátrias à foça, vendidos como animais e escravizados. Humilhados ao extremo, ao ponto de terem sido obrigados a renegarem as suas crenças e religiões. Chega deste erro! Passou da hora de consertar isso, e não submete-los novamente à essa humilhação. E, se, chega de dizer aos cidadãos que professam a fé em religiões Afro-Brasileiras, muito menos à um grupo de pessoas que acreditam diferente, e, aos que não acreditam, como devem crê e como devem, manifestar as suas religiosidades. Não cabe a ninguém, e a nenhum grupo DOMINAR e controlar religiosamente os cidadãos e cidadãs deste país. Principalmente políticos corruptos e farsantes, que fingem o cristianimo para conquistar o voto de quem pensa ser superior simplesmente por professar o cristianismo. Não cabe em um país tão plural, e que já venceu tantas batalhas, o retrocesso primitivo de uma inquisição conhecida como "EVANGELISTÃO".

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